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De tudo se pode tirar proveito: a solidão por exemplo, pode ser super produtiva. Sozinho voce pergunta e responde a si mesmo(tendenciosamente claro),ouve suas suas vozes internas, megulha em tristeza ou busca lembranças de momentos realmente importantes, que de alguma forma marcaram sua vida.
Minha experiência com a solidão mais profunda iniciou-se quando decidi tentar um relacionamento a dois em outro pais, numa cidade onde só conhecia meu partner.
Outra lingua, outra cultura, eu insegura com meu ingles, o computador configurado em outro estranho idioma...e sem uma boa biblioteca de lingua portuguesa à mao.
A inquietação me levou a descobrir leituras intressantes. Superada a bareira da configuracao do computador, passei a visitar alguns sites de informações sobre o Brasil, de escritores, cantores e poetas brasileiros e portugueses, descobri os blogs e passei a ler com regularidade e interesse alguns eloquentes e inteligentes blogs....e eu que pensei que esse era um território dos teens. Tem muita gente “cabeca” aqui e isso tem suprido a falta das boas conversas com amigos e a leitura dos livros que deixei em alguma caixa no Brasil. Tem sido muito mais interessante do que eu imaginava. Ainda tímida não tenho me comunicado com nenhum deles mas logo registrarei aqui algumas das minhas leituras preferidas.
Minha solidão não tem sido muito produtiva, tem sido mais de observar e pensar e ouvir (lendo aqui)e pensar ...Pensando melhor tem sido produtiva sim, pois esse pensar e ouvir de alguma forma é parte do processo de aprender a ser só não num sentido doloroso, mas ficar mais tempo comigo tem me ajudado na independencia emocional...
Escrevi esta primeira parte e deixei pra terminar depois e antes de terminar, numa dessas visitas virtuais entrei na casa de Rubem Alves http://www.rubemalves.com.br encontrei um de seus textos sobre esse assunto. Ele, com toda sua experiencia, discorre melhor sobre o que quero dizer. Abaixo algumas partes do texto.
Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:
“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“
...Soeren Kiekeggard, ... observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação.
Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar... tive de sofrer a minha solidão...sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...
A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações?... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.