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Templates By Marina
"A arte de viver conssiste em tirar o maior bem do maior mal".
(Machado de Assis )
Houve épocas ( talvez até ontem) em que detestava as pressões que sofri e aos que me pressionaram: detestava os “nãos” do meu pai, os professores que “me deram “notas baixas, o “te vira” de ser filho do meio (aquele que não é o primeiro nem o último).
Todos os “nãos”, os “não está bom" e os “te vira” me fizeram questionar, refazer, pensar, “me virar” e melhorar.
Sou mais responsável, exigente, independente
O “te vira” funciona !
Ou você cresce ou você cresce.
Obrigada, mas não façam mais isso.
Doeu!!!
...leve como uma borboleta...
Ao que me lembro um dos primeiros momentos em que o desejo de registrar minhas reflexoes ou como eu pensava na epoca: as “coisas” que eu ouvia, observações do que se passava ao redor e que ficavam na memória – teve início em plena adolescência ouvindo as estórias da minha avó. Desde criança e ate o fim da adolescência fui asmática, o que me obrigava a ficar calada pra respirar melhor. Ao fim das crises falava tudo o que podia; sempre falei muito, falo demais: dois até tres assuntos engatilhados, costumo abrir parenteses nas conversas para inserir outro assunto...mas foi lá na infância que se forjou esse ser complexo, contraditório, ansioso, engraçado e irritante, displicente e profundamnte responsável: Eu.
Voltando às crises de asma elas me deixavam calada, então prestava muita atenção nas conversas, desenhava mentalmente ou no ar com a pontinha do dedo indicador o rosto das pessoas -minha mãe era meu rosto favorito para meus desenhos imaginários( o cantinho da boca era ligeiramente voltado para cima como se sempre estivesse feliz), decorava e desenhava mentalmente o contorno dos móveis( nunca esqueci as cadeiras da casa da minha avó).
“À mesa”seria o nome do livro onde pretendia registrar as estórias que eu ouvia, as estórias detalhadas da minha avó que com mais de noventa anos ainda conseguia descrever. Esses assuntos sempre começavam no lanche da tarde em sua casa ou na nossa quando ela vinha passar o final de semana conosco.
Antes de ler Ferreira de Castro eu ja tinha grande interesse pelos seringais que ela descrevia - foi onde ela cresceu e passou sua
juventude.
Tudo isso ficou pra depois porque eu –adolescente viciada em televisão - queria era assistir Jornada nas Estrelas que passava justamente naquele horário.
...e eu estava voando!!!
Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas o dia pode chegar em que nos perguntemos: Quem assinou isto por mim?
(José Saramago)